Vírus da Juréia pode dizimar Peruíbe. Parte 4


 Parte 4 : A montanha de um olho só



Os cinco expedicionários que exploraram a crista da Serra dos Itatins e se atreveram a profanar a Gruta dos Sacrifícios começaram a passar mal já no caminho da volta. Tontura, náuseas e uma forte dor de cabeça torturava o ânimo dos cinco amigos.
Intoxicados pelos vegetais comidos na gruta, contaminados pela água que beberam lá dentro ou teriam eles contraído algum vírus?
Um deles, o mais velho, estava delirando muito. Ao olhar para a montanha de um olho só, viu diversas luzes coloridas que entravam e saíam da montanha. Teve até a impressão de que o olho o observava.
Relinchos, bufares, roncos e susurros chegaram aos ouvidos dele. Foi, como por encanto, no auge de sua alucinação, que viu diversos índios nus correrendo em sua direção, como se ele fosse o inimigo maior de toda a tribo ou como se carregasse uma grande praga.
As dores começaram a tomar conta , como se ele tivesse levado flechadas por todo o corpo.
Caído, com o rosto em cima de um formigueiro, começou a babar. As formigas surpreendentemente não atacaram, pois fugiram desesperadas!
Morreu indigente, devorado pela lei implacável da Mata Atlântica de que tudo circula e se movimenta.
E assim foi acontecendo o mesmo com os seus amigos. Um a um dos expedicionários foi morrendo pelo caminho, com o mal que contraíram na gruta dos sacrifícios. Outro deles, o mais novo, ainda olhou para a montanha caolha e entendeu que a salvação está lá dentro em algum local, compreendendo alguns desenhos rupestres vistos anteriormente.
Mas não teve tempo, pois encontrou-se com o único mal irremediável que existe na face da terra, sob os olhares de três magros urubus que aguardavam pacientemente a sua refeição...


continua...


Texto e foto: Márcio Ribeiro

Este texto é mais uma publicação da história "VÍRUS DA JURÉIA PODE DIZIMAR PERUÍBE". Foi publicado na edição nº 20 do Jornal Bem-Te-Vi.
 A continuação pode ser encontrada nas bancas, a partir de dezembro. Basta pedir o seu exemplar para o jornaleiro.
As edições anteriores estão disponíveis neste site.

Comentários