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Voz ativa: Frente Parlamentar da Cultura Hip Hop é criada na Alesp



Nascida nos anos 1970 no bairro negro do Bronx, nos Estados Unidos, a cultura hip hop conquistou mentes, mudou comportamentos e ganhou o mundo. No Brasil, mais precisamente na Estação do Metrô São Bento, na Capital Paulista, os dançarinos de break, os artistas do grafite e os MC’s mostravam nas rimas em português que o rap havia chegado para ficar e mudar realidades.


Ao celebrar os 50 anos deste movimento, foi criada na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo a Frente Parlamentar pela Construção de Políticas Públicas de Fomento, Divulgação e Apoio à Cultura Hip Hop. O evento que oficializou o grupo, realizado na Casa nesta sexta-feira (18), recebeu diversos parlamentares e representantes da cultura que cruzou fronteiras.


A Frente Parlamentar é liderada pelo deputado Donato (PT). Seu lançamento contou com a participação das colegas Márcia Lia (PT) e Paula da Bancada Feminista (PSOL), além do Movimento Pretas (PSOL), representado pela integrante Ana Laura Oliveira. O deputado federal Carlos Zarattini (PT), que atua em um grupo com o mesmo fim no Congresso, Brasília, também compareceu.


Resistência


“Temos muito trabalho pela frente, com objetivos de curto, médio e longo prazos. O hip hop já teve representatividade na Secretaria de Cultura Estadual, mas perdeu isso. Então, primeiro, precisamos reconquistar espaços, estruturar políticas de fomento de produção cultural em todas as regiões de São Paulo. Chegou a hora de darmos um salto de qualidade”, afirmou Donato. “Não podemos esquecer do Interior, que é fundamental. Esse é um movimento de resistência, de enfretamento de um momento tão difícil que a gente vive nesse país. Temos que caminhar juntos, sonhando os mesmos sonhos. Precisamos trabalhar para que essa cultura dialogue não só na periferia, mas com todos”, acrescentou a colega Márcia Lia.


A deputada Paula da Bancada Feminista ressaltou a importância de investimentos na área para que o trabalho seja sólido, amplificado e realmente ampare quem depende diretamente do setor. “Existe uma grande expectativa em nível nacional com a construção de um decreto do Ministério da Cultura que, provavelmente, vai criar linhas de crédito específicas para a cultura hip hop. A gente precisa garantir que as pessoas que vivem do hip hop possam realmente viver disso”, disse ela.


Vereadora pelo PSOL na Capital, Luana Alves seguiu o mesmo raciocínio: “Reconhecer a luta é fundamental porque, muitas vezes, essas histórias ficam apagadas. Essa Frente Parlamentar, além de lutar por recursos, também diz respeito a esse reconhecimento. O rap é uma grande escola, um grande formador político”, comentou. “Temos dialogado com o governo Lula para abrirmos esse espaço para o hip hop em diversos setores. A cultura hip hop pode servir como um elemento agregador da juventude brasileira”, apontou o deputado federal Zarattini.


Vidas salvas


Simoni Santos, da Aliança Negra Posse, o primeiro grupo de hip hop organizado em São Paulo, também prestigiou o lançamento da Frente Parlamentar e deixou o seu recado: “Já somos discriminados por termos nascido pretos e aí você, teimosa, vai lá e descobre que gosta de fazer rap, mano... Pra quem, como eu, veio lá de 1988 e hoje vê pessoas que a gente achava inatingíveis no Poder Público recebendo e discutindo o hip hop, descobrindo que a gente não faz apologia ao crime....Quantos anos eles levaram para nos entender! O que gente estava cantando era a dor, a mágoa, e fazendo um pedido de socorro. Sempre procuramos o melhor para a nossa quebrada. E o que encontramos? O hip hop. Então, ele salvou e ainda vai salvar muitas vidas”, afirmou Simoni.


O ouvidor das Polícias do Estado de São Paulo, Claudio Aparecido da Silva, é o resultado de uma vida transformada por essa cultura. Ele também fez questão de estar presente no evento na Alesp. “O hip hop, ao mesmo tempo em que é arte e cultura, também é comportamento, ativismo, desenvolvimento econômico. Tem gente aqui que é advogado, historiador, professor por causa do hip hop. Ele é literatura, artes plásticas e até modalidade olímpica”, afirmou, lembrando que o breakdance estará, pela primeira vez, nas Olímpiadas de Paris, no ano que vem.


Do Bronx à Estação São Bento


O hip hop é uma cultura popular que surgiu entre as comunidades afro-americanas do subúrbio de Nova York na década de 1970. A música é a sua principal manifestação artística, tendo também na dança e no grafite forte representação. Existem quatro pilares essenciais dessa cultura: rap (música), DJ (animador), breakdance (dança), grafite (arte) e o beatbox (instrumental).


O berço do hip hop brasileiro é a cidade de São Paulo, onde surgiu nos anos 1980, dos encontros na Rua 24 de Maio e no Metrô São Bento, de onde saíram muitos artistas reconhecidos, como Racionais MC's, Thaíde, DJ Hum, Sabotage e Rappin Hood. 


Divulgação Fábio Gallacci (imprensa@al.sp.gov.br)

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