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Mostrando postagens com o rótulo crônica

Qual o valor do dinheiro?

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Acredito, sinceramente, que as regras do jogo estão mudando. E rápido. Estamos perto de assistir a um xeque-mate na estrutura tal qual ela se constituiu ao longo dos últimos séculos. Já pensou que há menos de 10 anos pagar contas pelo celular era algo raro? Transferir e fazer um pagamento usando um QR Code ou tomar empréstimos diretamente por um aplicativo, sem precisar nem pisar em uma agência bancária. Agora até ao comprar pela internet você pode usar um cartão virtual. Inúmeras inovações que acabam proporcionando uma verdadeira revolução financeira, mudando a forma como pagamos e transacionamos valor. Para entendermos esse movimento, precisamos entender como foi a invenção do dinheiro tal qual o conhecemos. O dinheiro, por si só́, não é nada. Pode ser um objeto de metal ou um pedaço de papel impresso, mas seu valor físico não corresponde à sua representação simbólica. Possui valor pelo consenso entre as sociedades de que será aceito como meio de troca, ao permitir que as pes

Ser criança não é mais o maior barato!

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Neste domingo, passei pela rua de toda a minha infância e algo estava muito estranho. Havia muita paz e tudo estava em ordem. Não havia marcas de bola nos portões e nem nos muros. Ninguém estava brincando de lelê-gol e não tinha pedaços de blocos marcando as traves na rua. Não tinha corre-corre, gritaria ou qualquer outra brincadeira. Procurei, mas não achei meninas a brincar de casinha com bonecas de pano, na calçada forrada com qualquer trapo velho. Vez ou outra, levando bilhetes aos meninos que corriam envergonhados para casa. Os campos de futebol de botão não estavam com as traves costuradas com pedaços de cortina de filó, arrancados escondidos das mães – sujeito à surra. Os “estrelões” também não estavam lá para ser palco dos inúmeros campeonatos que existira em outrora, com regras, súmulas e divisões próprias. Olhei para o poste e me lembrei da tabela de basquete fixada no alto, que na verdade era o aro do volante de caminhão presa com m

Vírus da Juréia pode dizimar Peruíbe - Parte Final

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Parte 5 - O fim é só o começo Os corpos dos expedicionários mortos ficaram jogados na mata, nas proximidades do Rio Una do Prelado. Após alguns dias, o cheiro forte atraiu os moradores da redondeza que procuravam caça pelo local. Três corpos ainda estavam lá. Os outros dois sumiram. Provavelmente comidos pelas onças da região, ou teriam eles desaparecidos por alguma outra força maior? Benedito Maia foi o encarregado de levar os corpos em sua canoa, feita por ele mesmo, do tronco de um Guapuruvu. Chegando na “Vila”, localizada em uma volta do Rio Una, tratou de mandar o mensageiro, via Estrada do Telégrafo, para contatar as autoridades de Peruíbe sobre o ocorrido. Quando as autoridades chegaram na Vila, encontraram os moradores muito debilitados, contaminados pelo vírus que habitava os corpos dos defuntos expedicionários. Alguns deles já estavam mortos. Crianças, jovens e mulheres. O desespero era grande e a situação de calamidade pública. O único a ter contato

Vírus da Juréia pode dizimar Peruíbe

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*** Algumas décadas atrás, no Monte Kilimanjaro, no Kênia, foi libertado um vírus, que dizimou muitos habitantes africanos e assombrou o mundo...Apareceu do nada e repentinamente não se ouviu mais falar dele... ***   parte 1: A Gruta dos Sacrifícios  Em um certo lugar escondido da Serra dos Itatins existe uma gruta que cheira sangue e exala ainda um odor de morte, apesar dos quase mil anos passados após o último sacrifício macabro feito no local. Os índios tinham medo de aparições demoníacas, iguais a dos relatos feitos pelo alemão Hans Staden, quando descreveu os primeiros moradores nativos de São Vicente. Mas os índios que viviam em um pequeno flanco da Serra dos Itatins eram diferentes dos já relatados nos livros de história e não pertenciam às etnias conhecidas. Era uma época de crise, onde a colheita não era boa, a caça rareava e a pesca estava amaldiçoada por forças obscuras. Segundo eles, demônios poderosos trouxeram cobras venenosas do espaço e as

Filha conta tudo sobre a dedicada historiadora Maya Ekman

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   O destino cruzou o meu caminho com o de Alice Ekman, ao vê-la saindo da loja Ideal Peruíbe com o Jornal BEM-TE-VI de baixo do braço. Quando entreguei a nova edição, ela logo elogiou o trabalho do jornal e, em seguida disse o seu nome e o de sua mãe.   Muitas pessoas a conheceram, trata-se da dona Maya Ekman, uma mulher de grande importância cultural para Peruíbe e toda Baixada Santista. Lucas Galante: Onde que ela nasceu e quando foi? Alice Ekman: Minha mãe nasceu no dia 25 de maio de 1915, em Riga, capital da Letônia, e faleceu no dia 08 de março de 1992, em Peruíbe.  LG: Quando ela veio para o Brasil? O que ela fez durante sua vida ?    AE: Ela chegou em 1923 no Brasil e a família, com outros letos fundaram a cidade de Varpa, interior de São Paulo. Maya Ekman era dotada de uma inteligência e mente prodigiosas e jamais interceptou seu caminho de estudos em sua vida. Era historiadora incansável, poetisa, esotérica, teosofista, pensadora, grande cronista, escr

A dama da praia central

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(CRÔNICAS DE PERUÍBE) Eu tinha uns 12 anos naquela época e a “dama da praia central” aparentava ter uns 17 anos. Linda! Ela saía da escola e caminhava sozinha em direção à praia. Passava pela pracinha do coreto, descia a feirinha e ficava sentada nos banquinhos que havia onde hoje é a ciclovia. A menina era danada, ficava mexendo com os homens que passavam em frente ao prédio redondo dirigindo aqueles carrões. De vez em quando entrava em um deles. E eu de longe, com a minha bicicleta que insistia em cair a corrente, só observava. Ela era índia e tinha a pele “negra-mulata”. Os cabelos pretos eram bem lisos, escorriam pelo seu corpo e serviam de cortina para tampar os fartos “seios de bico-de-agulha”. As coxas dela eram bem grossas e desprovidas de estrias ou celulites. As suas nádegas avantajadas sustentavam confortavelmente todo o seu corpo quando ela sentava. Ah...e como era sexy esta menina. Sim, caro leitor, confesso que observei bem os detalhes, apesar disso, eu a

O Boi-tatá da Nilo Soares Ferreira

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  Pega-pega, esconde-esconde, escambida, mão-na-mula (estrela-nova-cela) e outras brincadeiras não eram mais praticadas com a ausência da luz solar . É que a molecada estava com um medo danado do Boi-tatá, que insistia em assombrar o bairro. Até os mais velhos estavam envolvidos na história e alguns davam testemunhos de que ele estava aparecendo lá pelos lados da Rua Nilo Soares Ferreira. Tinha gente que identificava marcas de pegadas pela manhã, já que a rua era de areia. Outros diziam ver o animal ciscando o chão e fungando em som alto. Do buraco da janela das casas de madeira, alguns moradores contavam que ele descia a Rua Taquaritinga e sumia (à galope) pela Rua Riachuelo, rumo à tenebrosa escuridão da linha férrea. Como não havia iluminação pública naquela época, os olhos de fogo do Boi-tatá podiam ser vistos de longe... Certa vez, ao levar uma surra de vara de marmelo de sua mãe, Rodrigo saiu de casa chorando e começou a andar pelas ruas. Era meia-noite e ne