A dama da praia central


(CRÔNICAS DE PERUÍBE)

Eu tinha uns 12 anos naquela época e a “dama da praia central” aparentava ter uns 17 anos. Linda!
Ela saía da escola e caminhava sozinha em direção à praia. Passava pela pracinha do coreto, descia a feirinha e ficava sentada nos banquinhos que havia onde hoje é a ciclovia. A menina era danada, ficava mexendo com os homens que passavam em frente ao prédio redondo dirigindo aqueles carrões. De vez em quando entrava em um deles. E eu de longe, com a minha bicicleta que insistia em cair a corrente, só observava.
Ela era índia e tinha a pele “negra-mulata”. Os cabelos pretos eram bem lisos, escorriam pelo seu corpo e serviam de cortina para tampar os fartos “seios de bico-de-agulha”. As coxas dela eram bem grossas e desprovidas de estrias ou celulites. As suas nádegas avantajadas sustentavam confortavelmente todo o seu corpo quando ela sentava. Ah...e como era sexy esta menina. Sim, caro leitor, confesso que observei bem os detalhes, apesar disso, eu ainda estava em minha infância e não conhecia o jardim de mato preto e chão molhado.
De vez em quando ela não aguentava o calor (vezes do sol ou vezes dela mesma) e entrava no mar com os seios à mostra. Parecia que o tempo parava e que nada mais importava na vida, pois nada devia impedir o doce caminho do balanço de seus quadris rumo ao mar...
A “dama da praia” desfilava na orla central as terças e quintas, sempre depois do almoço. Ficava até encontrar uma grande aventura ou ia embora junto com o sol, quando ela se encontrava consigo mesma, totalmente integrada à natureza.


Texto: Márcio Ribeiro
Postagem: Márcio Ribeiro


 Publicado na 11ª edição impressa do Jornal Bem-Te-Vi, na coluna Crônicas de Peruíbe.

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